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Portugal e Castela | Super Interessante Ed. Biblioteca digital nº 70

9,50 

Uma fronteira, dois destinos

Portugal nasceu olhando de frente para um vizinho maior e aprendeu muito cedo que a independência nunca seria uma dádiva. Era preciso conquistá–la, defendê-la e, em mais do que uma ocasião, recuperá-la. Esse confronto percorre toda a história da sua relação com Castela, marcada por uma oscilação constante entre uma intensa rivalidade militar e alianças estratégicas, desde a independência portuguesa no século XII até à integração e posterior rutura na Idade Moderna. Esta convivência moldou a fisionomia política da Península Ibérica e deu origem a tratados que, literalmente, dividiram o mapa do mundo. Desde Afonso Henriques e a formação do reino até à Guerra da Restauração, quase seis séculos mais tarde, desenrola-se uma história de fronteiras incertas, casamentos dinásticos, invasões, pactos e batalhas decisivas. A fronteira entre os dois reinos foi simultaneamente um espaço de contacto e de conflito; Aljubarrota transformou uma derrota quase certa numa vitória fundadora; e figuras como D. João I ou Nuno Álvares Pereira demonstraram que a legitimidade também podia ser construída com coragem, estratégia e apoio popular. Mas Portugal não se explica apenas por oposição a Castela. Quando o espaço peninsular pareceu fechar-se, o reino voltou-se para o Atlântico. De Ceuta a Tordesilhas, construiu uma rede imperial diferente da castelhana e transformou uma rivalidade regional numa competição global. Depois vieram Alcácer Quibir, a crise sucessória de 1580 e sessenta anos sob o domínio dos Habsburgos. A independência pareceu desvanecer-se, embora nunca tenha desaparecido da memória política. O golpe de 1640 e vinte e oito anos de guerra confirmaram que restaurar um reino era mais fácil do que garantir a sua obrevivência.

Portugal e Castela | Super Interessante Ed. Biblioteca digital nº 70

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Uma fronteira, dois destinos

Portugal nasceu olhando de frente para um vizinho maior e aprendeu muito cedo que a independência nunca seria uma dádiva. Era preciso conquistá–la, defendê-la e, em mais do que uma ocasião, recuperá-la. Esse confronto percorre toda a história da sua relação com Castela, marcada por uma oscilação constante entre uma intensa rivalidade militar e alianças estratégicas, desde a independência portuguesa no século XII até à integração e posterior rutura na Idade Moderna. Esta convivência moldou a fisionomia política da Península Ibérica e deu origem a tratados que, literalmente, dividiram o mapa do mundo. Desde Afonso Henriques e a formação do reino até à Guerra da Restauração, quase seis séculos mais tarde, desenrola-se uma história de fronteiras incertas, casamentos dinásticos, invasões, pactos e batalhas decisivas. A fronteira entre os dois reinos foi simultaneamente um espaço de contacto e de conflito; Aljubarrota transformou uma derrota quase certa numa vitória fundadora; e figuras como D. João I ou Nuno Álvares Pereira demonstraram que a legitimidade também podia ser construída com coragem, estratégia e apoio popular. Mas Portugal não se explica apenas por oposição a Castela. Quando o espaço peninsular pareceu fechar-se, o reino voltou-se para o Atlântico. De Ceuta a Tordesilhas, construiu uma rede imperial diferente da castelhana e transformou uma rivalidade regional numa competição global. Depois vieram Alcácer Quibir, a crise sucessória de 1580 e sessenta anos sob o domínio dos Habsburgos. A independência pareceu desvanecer-se, embora nunca tenha desaparecido da memória política. O golpe de 1640 e vinte e oito anos de guerra confirmaram que restaurar um reino era mais fácil do que garantir a sua obrevivência.

Uma fronteira, dois destinos

Portugal nasceu olhando de frente para um vizinho maior e aprendeu muito cedo que a independência nunca seria uma dádiva. Era preciso conquistá–la, defendê-la e, em mais do que uma ocasião, recuperá-la. Esse confronto percorre toda a história da sua relação com Castela, marcada por uma oscilação constante entre uma intensa rivalidade militar e alianças estratégicas, desde a independência portuguesa no século XII até à integração e posterior rutura na Idade Moderna. Esta convivência moldou a fisionomia política da Península Ibérica e deu origem a tratados que, literalmente, dividiram o mapa do mundo. Desde Afonso Henriques e a formação do reino até à Guerra da Restauração, quase seis séculos mais tarde, desenrola-se uma história de fronteiras incertas, casamentos dinásticos, invasões, pactos e batalhas decisivas. A fronteira entre os dois reinos foi simultaneamente um espaço de contacto e de conflito; Aljubarrota transformou uma derrota quase certa numa vitória fundadora; e figuras como D. João I ou Nuno Álvares Pereira demonstraram que a legitimidade também podia ser construída com coragem, estratégia e apoio popular. Mas Portugal não se explica apenas por oposição a Castela. Quando o espaço peninsular pareceu fechar-se, o reino voltou-se para o Atlântico. De Ceuta a Tordesilhas, construiu uma rede imperial diferente da castelhana e transformou uma rivalidade regional numa competição global. Depois vieram Alcácer Quibir, a crise sucessória de 1580 e sessenta anos sob o domínio dos Habsburgos. A independência pareceu desvanecer-se, embora nunca tenha desaparecido da memória política. O golpe de 1640 e vinte e oito anos de guerra confirmaram que restaurar um reino era mais fácil do que garantir a sua obrevivência.